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O que é o humano?

O que é o humano? Posted on Novembro 22, 2017Leave a comment

Uma piada de Deus? Uma armadilha do diabo? Um misto de bem e mal? Insuficiência e paradoxo?
Ao longo da história da filosofia foram inúmeras as tentativas e definições sobre o que é o humano. A antropologia filosófica se ocupou desta questão e apresentou algumas respostas que encontram-se na filosofia existencialista.
Diante deste universo complexo que é o humano, a filosofia existencialista tentou defini-lo como dor, tragédia, vazio, nada, absurdo, crueldade, enigma, insuficiência, miséria e ilusão.
As definições apresentadas pela filosofia existencialista, de certa forma, não foram compreendidas pela modernidade que, por ser hedonista, tem medo de olhar-se no espelho e encontrar uma realidade que não corresponda ao seu paradigma.

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Qual a situação do homem na atualidade?

No cenário atual encontra-se um humano exausto, fatigado e muito ocupado em representar papéis. Para tanto, confeccionam máscaras com o intuito de esconder sua fragilidade, seus paradoxos e sua insuficiência.
O filósofo Franz Rosenzweig (1886-1929), considerado existencialista, crítico do idealismo Hegeliano e influenciador de M. Heidegger, defende a ideia de que a filosofia precisa levar em conta a existência real vivida pelo ser humano. O pensamento do filósofo tem como centro o reconhecimento da morte e portanto a insuficiência.
Na perspectiva da modernidade, a insuficiência pode ser compreendida de forma negativa. Porém, filosoficamente, consiste na capacidade do humano em reconhecer e aceitar sua finitude e sua vulnerabilidade. Ou seja, aceitar sua humanidade e sair da ilusão da autossuficiência e do “complexo de semi-deus”.

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O filósofo Martin Heidegger( 1889-1976), em sua metafísica da subjetividade, define o ser humano como o ser-aí, o ser-no-mundo e o ser-para-a-morte. Nesta filosofia, o homem é “um ser que caminha para a morte”.
A investigação ontológica presente na filosofia heideggeriana desemboca na constatação de que o humano só terá uma existência autêntica se incluir em seus projetos a morte e a finitude. Sendo assim, o reconhecimento da insuficiência não se refere às competências na realização de tarefas cotidianas, mas ao que o humano é em sua essência.
Conclui-se, então, que a resposta para a questão do que é o humano está na capacidade deste em reconhecer e acolher sua insuficiência. Porém, no horizonte filosófico ainda paira a questão: O que é o humano?

Turim, 22 de Novembro de 2017

Profª Lourdes Santos, filósofa e Consultora educacional

 

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