Quando a boca cala o corpo fala.

Um jargão muito conhecido no universo dos psicoterapeutas adeptos ao estudo da psicossomática, revela que grande parte das enfermidades que se manifestam em nosso corpo físico são na verdade o reflexo de alguma questão psicológica mal elaborada pela nossa consciência. Em outras palavras, todas aquelas emoções e sentimentos que você reprime podem virar uma doença no seu corpo físico.

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Obviamente a relação não é simplista e rasa como os contestadores dessa teoria afirmam. Com sua fundamentação na psicanálise e na neurociência, alguns estudos conseguem traçar o mapa das relações entre as emoções e os órgãos somáticos com os quais elas se relacionam.

Sabe aquela dor de cabeça que não te abandona? É muito provável que ela esteja relacionada aos conflitos que, por sua complexidade, você prefere negar.

Aquela dor de garganta pode estar relacionada àquilo que ficou “entalado” nela. Ou seja, pode estar relacionado àquilo que você não conseguiu falar.

Problema de coração? Por acaso está com o “coração partido”?

Nossas expressões populares há muito tempo revelam alguns segredos da psicossomática. Quando, por exemplo, revelamos a alguém que ainda não conseguimos digerir aquela situação desgastante que aconteceu no nosso ambiente de trabalho e de fato o nosso estômago para de digerir os alimentos ou se torna excessivamente ácido, quem sabe.

Nossos desejos inconscientes de proteção e equilíbrio, quando não encontram vazão no espaço da nossa consciência, permanecem em forma de conflito mal resolvido na inconsciência e emitem sinais ao nosso corpo até que sejamos capazes de resolver de maneira consciente.

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Considerando que estamos vivendo um momento de super valorização da racionalidade, em que conflitos emocionais são vistos como “fraqueza de gente imatura”, nos sentimos cada vez mais constrangidos a reprimir emoções, dores, medos e inseguranças.

Seguimos pela vida fazendo cara de paisagem quando estamos a beira do desespero.

Gritando por dentro e sorrindo por fora (e ainda postando no Instagram!), chorando por dentro e disfarçando, a duras penas, que muitas vezes as relações e as decepções doem mais do que achamos que deveriam doer.

E tudo isso simplesmente por que nossa parte sensível, que se relaciona com o mundo, vai muito além dos dois metros da pele do nosso corpo.  Nossa sensibilidade vai por uma dimensão profunda do nosso ser, nos meandros inatingíveis da nossa subjetividade. Ignorar essa dimensão revela de maneira descarada o medo de encarar a nossa fragilidade.

Pessoas gastam fortunas para terem seus corpos bonitos, cuidados, bem alimentados, vacinados, enrijecidos e jovens. Mas esquecem que a mente também faz parte do corpo e se ela não estiver minimamente equilibrada e lúcida, ela pode estragar com todo o resto! Atire a primeira pedra quem nunca avacalhou com uma dieta em plena terça-feira por que simplesmente não resistiu àquela barra de Lindt, que estava em promoção nas Lojas Americanas?

Cuidar do corpo é cuidar da mente também! É investigar as emoções que estão empoeiradas aí no sótão da sua consciência. E nesse caso, todo dia é dia de faxina.

Aline Sorrentino

Turim, 23 de setembro de 2017

 

 

 

 

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