As Quatro Nobres Verdades do Budismo que podem mudar a sua vida

O Budismo é um movimento moral e espiritual que começou na Índia 600 a.C. Muitos confundem os preceitos budistas como apenas uma religião ou uma mera filosofia de vida, com finalidade de moralização dogmática do comportamento humano na sociedade.

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Na verdade, trata-se de uma cosmovisão com preceitos éticos, buscando por meio da própria experiência existencial um sentido íntegro, honesto, digno, honrado e reto para a sua própria vida. Não existe no budismo a crença e a não crença das coisas em si, sobretudo, é preciso reconhecer aquilo que nós não somos.

A essência dos preceitos budistas consiste em:

  •  Dirija a si mesmo de maneira plena e consciente.
  •  Não cause sofrimento a ninguém.
  • Pratique a bondade e a sabedoria

Os primeiros ensinamentos de Sidarta Gautama (mais conhecido como Buda) são conhecidos como as “quatro nobres verdades” e é sobre essas verdades que nós queremos falar.

Dukkha – a primeira nobre verdade : “existe sofrimento.”

Não precisamos fazer muitos esforços para olhar para a nossa vida e encontrar essa nobre verdade. O sofrimento existe, não podemos negar: esses sofrimentos estão distribuídos de maneira muito singular para cada ser humano.

Seja o sofrimento físico ou o mental. Há sofrimento nos diversos estágios que nós passamos nessa vida. A melhor forma para lidar com esse sofrimento é encará-lo de maneira honesta e consciente, sem lamentações vitimistas. Buda não era um mestre moral negativo, ele compreendia que o sofrimento era temporário, transitório, necessário, mas impermanente, isto é, vem e vai, assim como a felicidade.

Samudaya – segunda nobre verdade : “a dor tem causa”

Se o sofrimento existe ele tem uma causa e esta tem origem em sua mente. Para Buda a mente antecede todos os fenômenos, a mente os domina e cria. A causa do sofrimento está no seu surgimento de um nível psíquico, de maneira muito profunda. Implica basicamente o nosso apego à vida e a todos os fenômenos que nos envolvem  indiretamente, na nossa insistência de querermos existir eternamente nesse plano como seres eternos.

Não se trata de uma visão pessimista de dizer que a nossa existência seja uma perda tempo ou que não vale a pena. Buda falava na esfera de entendimento do apego dos afetos e desejos. Não se agarre a nada nessa vida, a probabilidade de sofrer em um outro momento é eminente.

Nirodha – terceira nobre verdade “O sofrimento acaba”

Ao extinguir a causa, o falso ego, o sofrimento também desaparecerá. A existência do sofrimento depende de sua causa, se esta for de fato eliminada, ele também desaparecerá. Essas afirmações podem ser verdades se você souber realmente aplicá-las em sua vida.

O sofrimento é apenas um efeito que pode ser controlado se nós nos posicionarmos de maneira ética e correta em relação a ele. O nome pelo qual ficou conhecido popularmente esse estado de liberação do sofrimento é o “nirvana”.

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A origem desse nome vem do Sânscrito, na língua Páli, literalmente “nir” significa “não estar” e “vana” com o significado de cordão. Portanto, “nirvana” significa não estar preso ao cordão. Podemos viver nesse mundo, sem estarmos apegados a nada desse mundo, isso seria um estado de consciência profunda e realizada.

Nirvana é um estado de consciência de total desapego às coisas desse mundo, da libertação de todo o sofrimento dessa vida. No budismo, nirvana é o estado mais evoluído que um praticante pode alcançar em relação à libertação das dores do mundo. Todos podem, é uma questão de prática a meditação, mas vale lembrar que não é o fim da caminhada.

Magga – quarta nobre verdade: “existe um caminho.”

Essa quarta nobre verdade também é conhecida como “Caminho Óctuplo”. É o caminho que conduz ao fim do sofrimento, também conhecido como o caminho do meio.

Nesse caminho evita-se os extremos dessa vida. A busca pela felicidade por meio dos prazeres do sentido. Buda concluiu que para tudo existe um equilíbrio, um meio-fio. Entre os extremos do positivo e o negativo. Nem muito quente e nem muito frio. Caminho Óctuplo:

O caminho da palavra correta As palavras possuem um grande poder de determinação em nossas vidas. Aqui está a aplicação das palavras de maneira consciente e de maneira útil.

Gastamos muitas energias quando falamos palavras sem nenhum sentido para as pessoas, como, também, gastamos mais energia e esforço quando usamos palavras para ofender, menosprezar, xingar. Não agrega valor algum. Segundo Buda, a fala precisa ser harmoniosa.

O caminho da ação correta Tudo o que plantarmos colheremos. A forma como nós alimentamos nosso corpo físico retorna para nós mesmos, como um eterno retorno do mesmo. Aqui está subtendido o princípio de causa e efeito que foi desenvolvido em outras filosofias de vida de muitas comunidades religiosas.

O caminho do meio: vida ética

A totalização dos nossos hábitos e costumes em nossa vivência social. Implica com quem andamos, como resolvemos viver etc… Buda aconselhava as pessoas a viverem com pessoas sadias e sábias. Em ambientes agradáveis.

Caminho do esforço mental correto

Somente a força de vontade e determinação poder ser capazes de superar os obstáculos. Esse esforço não pode ser compreendido como esforço físico, e sim, adquirido por meio da meditação. Mantenha-se centrado, determinado, sem desviar sua atenção para distrações.

Caminho da atenção correta

A atenção correta consiste em olharmos para as nossas percepções, sentimentos, emoções, corpo, objetos da nossa mente, para a natureza dos fenômenos da vida e todas as nossas experiências. Abrir os olhos da mente para compreendermos nossa natureza.

E por último, o caminho do pensamento correto.

Assim como as vozes externas, as vozes internas possuem grandes poderes e responsabilidades. A funcionalidade correta dos nossos pensamentos podem servir como uma grande medicina, um grande núcleo de sabedoria.

Os pensamentos são como sementes, é preciso plantar e regar para produzir boas árvores. Gostou? Então compartilhe!

Por: O Martelo de Nietzsche

3 Replies to “As Quatro Nobres Verdades do Budismo que podem mudar a sua vida”

  1. O poder da palavra falada. Para falar, nosso cérebro precisa trabalhar ativamente, movendo-se entre pensamentos simples e complexos e visualizando, as vezes não tão claramente, onde queremos chegar. A palavra é construtora, tanto falada quanto ouvida (ou lida). A importância da palavra como instrumento criador encontra-se nas escrituras sagradas: “…e Deus disse”… Aconselha-se a não falar excessivamente, bem como, a falar usando as melhores e mais significativas palavras que puder construir. Finalmente, três coisas jamais voltarão atras: a pedra jogada, a flecha lançada e a palavra proferida.

  2. O caminho da atenção correta diz respeito à atenção plena (atenção totalmente voltada para o momento presente), que pode ser treinada através da meditação, e também em atividades diárias,como lavar pratos,tomar banho, etc.
    Geralmente fazemos tudo no automático, com o pensamento em outras coisas.

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