A ciência explica o amor à primeira vista

A ciência explica o amor à primeira vista

Janeiro 17, 2018 0 Por admin

Uma pesquisa de 2017 da Universidade de Groningen, revelou que 56% dos americanos acreditam no amor à primeira vista, e a cada três pessoas da população, há um relato de ter vivenciado esse sentimento.

Isso não é surpreendente, pois percebemos tanto na arte quanto na literatura, a exposição do sentimento de paixão e amor a primeira vista em diversas obras, por exemplo, na Literatura Portuguesa com Eça de Queiroz e Camões.

Ambos com suas visões românticas distintas, marcaram gerações. Camões emocionou o mundo com seu soneto perfeito:

 Amor é fogo que arde sem se ver/É ferida que dói, e não se sente/ É um contentamento descontente/ É dor que desatina sem doer.”

Já Eça de Queiroz em “O primo Basílio” escreveu sobre o tema de uma forma direta e objetiva: “Que outros desejem a fortuna, a glória, as honras, eu desejo-te a ti!

Será que conseguimos saber por métodos científicos por que isso ocorre conosco?

 O estudo da Universidade de Groningen nos dá algumas ideias empíricas para explicar esse sentimento. As pesquisas anteriores marcaram o amor à primeira vista como uma “ilusão positiva” ou uma tendenciosa memória que os casais criam para melhorar seu relacionamento. Isso parece completamente plausível, dado que somos propensos ao viés de resultados – avaliando a qualidade de uma decisão com base no resultado.  

A pesquisa revelou que 92% das 558 pessoas entrevistas, alegaram ter experimentado o “amor a primeira vista”. Elas relataram que mais tarde a paixão transformou-se em amor mútuo e desenvolveram um relacionamento romântico. No entanto, esta explicação não é suficiente. Todos nós conhecemos o famoso: “amor não correspondido”. Quando alguém apaixona-se a primeira vista e a outra pessoa não corresponde ao mesmo sentimento. Resultando-se em “amor platônico”, totalmente danoso ao nosso estado psicológico. 

A tendência dos casais de projetar seus sentimentos atuais no primeiro momento em que se conheceram é muito recorrente. Afinal, a psicologia nos mostrou que somos criadores de histórias que tendem a ver seu passado à luz do presente, subestimando as mudanças que ocorrem ao longo do tempo.

A pesquisa também revelou que o fator predominante para o surgimento do sentimento de amor a primeira vista é : a atração física. Na verdade, os estudos mostraram que as pessoas apaixonam-se pelo corpo, por criar em fração de segundos, momentos íntimos com aquela pessoa. Apaixonam-se pelo desejo que foi despertado. Isso te lembra algum aforismo de Nietzsche?

“Ninguém ama ninguém, ama-se o desejo e não o desejado”- Nietzsche.

Além disso, a atratividade física traz consigo o chamado “efeito halo” – a nossa tendência a atribuir traços de personalidade mais positivos às pessoas que consideramos fisicamente atraentes. Esta avaliação positivamente tendenciosa de alguém que consideramos atraente, pode contribuir para a ilusão do amor romântico.

Para examinar se as hipóteses acima mencionadas são verdadeiras, os autores do estudo formularam as seguintes questões: que tipo de amor é amor à primeira vista?

Foi feito uma investigação empírica com dados coletados em três contextos diferentes: online, no laboratório e em lugares públicos como praças ou shopping centers. 558 participantes com idade média de 24 a 18 anos.

Os participantes foram convidados a preencher questionários sobre seus parceiros atuais ou sobre casos que eles conheciam pessoalmente. Eles tiveram que relatar se eles experimentaram amor à primeira vista, atração física e também quais componentes do amor eles experimentaram: intimidade, compromisso, paixão ou eros (um estilo de amor caracterizado por alta paixão e intensidade).

Os resultados mostraram que, de fato, a atração física é altamente correlacionada com a experiência da paixão. Os dados também mostraram que curiosamente, os homens eram mais propensos a experimentar o amor a primeira vista do que as mulheres.

Em casais, o relato de amor à primeira vista foi mais fortemente correlacionado com eros, paixão seguida de compromisso. Esta correlação não foi observada em pessoas que se conheceram pela primeira vez sem se apaixonar.

Finalmente, os pesquisadores descobriram que as pessoas que relataram sofrer  por amor à primeira vista sofriam de autoestima ou algum tipo de não satisfação consigo mesmo, muitas vezes insegurança.

Em última análise, o amor à primeira vista é simplesmente uma forte atração inicial que pode passar ou ser mantida, dependerá de sua atitude. 

Por: Martelo de Nietzsche