Nada vai embora até que nos ensine o que precisamos saber.

As feridas que pensei que estavam curadas só começaram a se romper depois que eu enxerguei o sofrimento de outra maneira.. Eu obviamente não tinha aprendido as lições para as quais fui  obrigado a aprender alguns anos atrás.

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Quando criança, dediquei 100% de esforço em tudo o que fiz, desde o treinamento escolar, natação e até posições de liderança em comunidade cristã ( na qual não participo mais). Eu me lembro de me sentir tão seguro de mim mesmo.

Eu tirei minha confiança de muitas situações que eu passei em minha vida: um bom aluno, campeão de natação, capitão da escola, um garoto nerd mesmo tendo uma família desestruturada … Eu precisa ser corajoso para dá um rumo sério a minha vida. Embora os elogios em relação as boas notas  fossem constantes no meu boletim, isso para mim  não significava nada, uma vez que o bullying  de pessoas próximas a mim vivia me perseguindo de maneira muito constante . Isso por eu ser negro com “jeitos afeminados.”

Fui intimidado várias vezes durante a minha vida a ser corajoso e enfrentar a opressões dos covardes. Mudei de escola várias vezes por causa do bullying,  na esperança de poder escapar dos apelidos pejorativos que recebia constantemente, no entanto, infelizmente para mim, os valentões parecia estar em toda parte. Eu tive problemas no meu clube de natação e durante meus primeiros anos do ensino médio, entretanto, tudo mudou quando eu tive:

o contato com a sabedoria budista

O contato com o budismo  foi a partir do momento em que eu comecei a perceber que os ensinamentos do cristianismo eram insuficientes e cheios de contradição. Comecei a estudar sobre “por que as pessoas sofrem“, ao mesmo tempo em que eu comecei a ler Nietzsche e sua filosofia do martelo.

Depois de aprender as lições que você precisa saber, você realmente muda e quebra padrões.

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Por não aprender o que eu precisava aprender anos atrás, fui confrontado com as mesmas situações repetidas vezes. E assim acontece com todos nós. Continuamos a ter as mesmas experiências até aprendermos de fato a lição.  Aqui podemos aplicar claramente o conceito de Nietzsche: “o eterno retorno“.

Tudo volta até que seja realmente aprendido. 

Encontrei um mundo totalmente diferente daquele que sempre fui ensinado.  A máxima budista: “nada vai embora até que nos ensine o que precisamos saber” e o poderoso aforismo de Nietzsche: “Torna-te quem tu és” foram gatilhos para fazer eu sair de uma posição de comodismo vitimista no que tange à vida.

Sim, eu compreendi que todos sofrem em proporções diferentes, embora possa parecer desigual, mas todos em alguma medida sofre com alguma inquietação.  Contudo, é preciso que eu enxergue o meu problema sem fazer comparação com o problema do meu vizinho.  A partir do momento em que eu saio dessa sala de julgamento alheio do sofrimento, eu começo a ter uma atitude para comigo mesmo; que pode levar a um amadurecimento maior em relação as minhas mazelas.

Nietzsche e Schopenhauer foram profundos estudiosos do sofrimento, tal como Buda. Eles chegaram a conclusão que o sofrimento é inerente a vida humana, não encaram como um fator negativo, porém, uma oportunidade de amadurecimento. Nietzsche chegou a falar que deseja que seus amigos sofressem para possam compreender melhor a vida.

Passei a ser mais grato pelas experiências e lições subsequentes. Por mais dolorosos que possam ter sido os sofrimentos que tive que passar, eles  ajudaram a me tornar  mais forte, ( “o que não me mata me faz mais forte”) mais sábio, mais feliz e mais capaz de amar e ser amado, embora muita coisa no mundo pareça ser horrível.

Sabendo disso, fica muito mais fácil abandonar aquela velha posição de filho abandonado e de injustiçado diante dos problemas. Sim, é preciso encarar o sofrimento pedagogicamente para que possamos sair da inércia e avançarmos  para uma posição mais elevada. 

Por: Wanderson Dutch

 

 

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