Como a Finlândia virou referência em educação, com oportunidades iguais a ricos e pobres

Como a Finlândia virou referência em educação, com oportunidades iguais a ricos e pobres

Setembro 18, 2018 1 Por admin

Sabe-se que os  finlandeses só  vieram a conhecer o asfalto na década de 1920, isso mesmo, antes da segunda guerra mundial.  Até o começo do século 20, a Finlândia  vivia na pobreza.

Conforme o passar dos anos, o país foi transformado por um conjunto de políticas educacionais e sociais de governos comprometidos – que por sua vez, criaram um dos mais prestigiados modelos de excelência em educação pública do mundo.

Enquanto no Brasil, reduzir a imensa desigualdade de oportunidades educacionais, segue sendo um sonho distante de se realizar.

O milagre finlandês

O chamado milagre finlandês, teve inicio na década de 70 e turbinado nos anos 90 por uma série de reformas inovadoras que os governos vigentes realizaram. Em um espaço de 30 anos, a Finlândia transformou um sistema educacional medíocre e ineficaz, que amargava resultados escolares comparáveis aos de países como o Peru e a Malásia, em uma incubadora de talentos que a alçou ao topo máximo dos rankings mundiais de desempenho estudantil e por consequência, alavancou o nascimento de uma economia sofisticada e altamente industrializada.

Entenda: em linhas gerais, nós podemos dizer que trata-se, à primeira vista, de um enigma, isso mesmo! Os finlandeses estão fazendo exatamente o contrário do que o resto do mundo faz na eterna busca por melhores resultados escolares – e está dando certo. O receituário finlandês inclui reduzir o número de horas de aula e limitar ao mínimo os deveres de casa e as provas escolares.

Diversas delegações de educadores internacionais vasculham o paradoxal modelo finlandês em busca da fórmula do milagre. E ouvem, dos finlandeses, a seguinte resposta: “a educação pública de alta qualidade não é resultado apenas de políticas educacionais, dizem os finlandeses, mas também de políticas sociais”.

Como ocorreu a transformação 

Até o fim dos anos 1960, apenas 10% dos finlandeses completavam o ensino secundário. As oportunidades eram limitadas, e o acesso, desigual: muitas famílias não tinham condições de pagar por instituições privadas de ensino, e as escolas públicas eram insuficientes.

Um diploma universitário era considerado, na época, um troféu excepcional – apenas 7% da população tinha educação superior. Em todas as faixas de aprendizado, a Finlândia era um símbolo de atraso.

Mas a História do país sempre foi marcada pela resiliência do seu povo, que só conquistou a independência em 1917 – depois de seis séculos sob o domínio do reino da Suécia e mais de cem anos como grão-ducado do Império Russo e seus cinco czares.

A sociedade como agente participativo

Nos anos 90, o país anunciou uma nova revolução do ensino. Associações de professores, políticos, pais, membros da academia e diferentes setores da sociedade foram chamados a participar da criação dos novos e revolucionários paradigmas da educação no país, que rejeitavam a fórmula convencional aplicada na maior parte do mundo como receita para melhorar o desempenho escolar.

 

Os primeiros resultados do PISA publicados em 2001 surpreenderam os próprios finlandeses: em todos os domínios acadêmicos, a Finlândia despontou no topo do ranking mundial. E permanece, até hoje, entre os mais destacados membros do clube.

 Os alunos aprendem mais quando os professores ensinam menos

A experiência finlandesa desafia a lógica convencional, que prescreve mais horas de aula e maior quantidade de lições de casa como fórmula para turbinar o desempenho estudantil.

Os dias são mais curtos nas escolas da Finlândia: são menos horas de aula do que em todas as demais nações industrializadas, segundo estatísticas da OCDE, organização que reúne os países mais ricos do mundo

Todos os aspectos por trás do sucesso finlandês parecem ser, assim, o oposto do que se faz na maior parte do mundo, onde a competição, a alta carga de provas e aulas, a uniformização do ensino e a privatização são via de regra os princípios dominantes.

Considerações finais 

“Exercer controles rígidos sobre as escolas e os alunos, pagar os professores com base no desempenho dos estudantes, entregar a liderança das escolas a especialistas em gerenciamento ou converter escolas públicas em privadas são ideias que não têm lugar no repertório finlandês de desenvolvimento da educação”, diz o educador Pasi Sahlberg.

Sahlberg resume assim o pensamento finlandês sobre a educação pública de qualidade:

Os finlandeses entendem que a educação de todos os cidadão é uma obrigação moral, pois o bem-estar e em última análise a felicidade de um indivíduo depende do conhecimento, das aptidões e das visões de mundo que são proporcionadas por uma educação de qualidade

. É também um imperativo econômico, uma vez que a riqueza das nações depende cada vez de um povo consciente.

.Por: O martelo de Nietzsche

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese