10 Filmes inspirados na filosofia de Schopenhauer

10 Filmes inspirados na filosofia de Schopenhauer

Março 10, 2019 0 Por admin

Em primeiro lugar é muito importante que fique claro: os realizadores dos filmes não necessariamente leram os livros de Schopenhauer para a criação dos filmes, contudo, é perfeitamente possível perceber a filosofia do pai do pessimismo em cada filme citado abaixo.
Filosofia não se faz  apenas com a razão, mas também com o corpo. A partir dessa máxima lança-se a filosofia de Schopenhauer, crítica veemente ao pensamento de Hegel e Kant, filósofos presos a modernidade e a frágil teologia cristã – a qual Schopenhauer não tem pontos de contato – Hegel e Kant buscam sistematizar as coisas do mundo de modo a supervalorizar a razão.

Schopenhauer, em contrapartida, busca uma valorização do corpo, das coisas do mundo, da irracionalidade e, principalmente, da Vontade como regente. Se antes, com Kant, a moral era esclarecedora, para Schopenhauer isso nada mais era que uma opressão metafísica que deseja controlar as vontades. Os filósofos da modernidade teriam dado a ciência uma posição da qual ela não tem: a dona absoluta da verdade.

Schopenhauer e Nietzsche colocam o homem no seu devido lugar, tirando-o do pedestal do qual a razão e o iluminismo o colocou. Schopenhauer se aproxima da filosofia budista reencarnacionista sem um deus arquiteto:

“Imaginemos, por um instante, que a humanidade fosse transportada a um país utópico, onde os pombos voem já assados, onde todo o alimento cresça do solo espontaneamente, onde cada homem encontre sua amada ideal e a conquiste sem qualquer dificuldade (…) Ora, nesse país, muitos homens morreriam de tédio ou se enforcariam nos galhos das árvores, enquanto outros se dedicariam a lutar entre si, a se estrangular, a se assassinar uns aos outros”

Para Schop, é o caos, o sofrimento, as dores, os dissabores da vida que leva o ser humano a um sentido comum.

Confira agora, 10 filmes inspirados na filosofia de Schopenhauer

Réquiem Para um Sonho (2000) | Darren Aronofsky

Um filme que tem uma abordagem frenética, perturbada e única sobre pessoas que vivem em desespero e ao mesmo tempo cheio de sonhos. Harry Goldfarb (Jared Leto) e Marion Silver (Jennifer Connelly) formam um casal apaixonado, que tem como sonho montar um pequeno negócio e viverem felizes para sempre. Porém, ambos são viciados em heroína, o que faz com que repetidamente Harry penhore a televisão de sua mãe (Ellen Burstyn), para conseguir dinheiro. Já Sara, mãe de Harry, viciada em assistir programas de TV. Até que um dia recebe um convite para participar do seu show favorito, o “Tappy Tibbons Show”, o qual é transmitido para todo o país. Para poder vestir seu vestido predileto, Sara começa a tomar pílulas de emagrecimento, receitadas por seu médico. Só que, aos poucos, Sara começa a tomar cada vez mais pílulas até se tornar uma viciada neste medicamento.

500 Dias com Ela (2009) | Marc Webb

filmes melancolicos 3Tom é um cara muito tímido, formou-se em Arquitetura, mas trabalha escrevendo cartões de felicitação. Totalmente solitário, melancólico e frustrado, não vislumbra grandes rumos em sua vida, muito menos sentido. Quando seu chefe contrata uma nova secretária, Summer, ele vê seu ideal de amor tomar finalmente forma. Linda, espirituosa e inteligente, ela gosta das mesmas coisas que ele. Eles saem algumas vezes, e a lista de afinidades não para de crescer. Tom se apaixona perdidamente, mas Summer, que acredita que o amor não passa de uma fantasia, quer apenas se divertir.

Melancolia (2011) | Lars von Trier

filmes melancolicos 2Um planeta chamado Melancolia está prestes a colidir com a Terra, o que resultaria em sua destruição por completo. Neste contexto Justine está prestes a se casar com Michael. Ela recebe a ajuda de sua irmã, Claire, que juntamente com seu marido John realiza uma festa suntuosa para a comemoração.

ÚLTIMOS DIAS (2005)

SPOILER: MEGA PESADO

setembroamarelo_ultimosdias

Do incrível diretor Gus Van Sant, o filme reimagina os últimos dias do cantor Kurt Cobain, vocalista do Nirvana que supostamente se suicidou aos 27 anos. O protagonista (e alegoria de Kurt) é Blake, um cantor de rock que está isolado em uma mansão no interior com alguns amigos.

Sem grandes acontecimentos ou pontos de virada, o filme é calmo e demorado, mostrando lentamente Blake passeando no bosque ou ensaiando uma nova música. É um filme livre, sem pretensões de causar grandes emoções além de uma eterna angústia. Não recomendamos para pessoas sensíveis.

SALA DO SUICÍDIO (2011)

setembroamarelo_saladosuicidio

Um filme polaco que conta a história de Dominik, um garoto que, após beijar outro garoto, começa a sofrer bullying e se isolar em um universo virtual. Na internet, conhece uma moça que lhe apresenta a Sala Suicida, onde ele pode interagir com pessoas que passam pela mesma situação que ele. Um filme bem caricato, mas com uma visão diferente sobre o assunto, sobre sofrimentos internos e angustias existenciais.

Minha vida sem mim (2003)

Produzido por Pedro Almodóvar e seu irmão, esse filme nos ajuda a refletir sobre as clássicas questões que envolvem a morte e a maneiras de lidar com ela. Na história, conhecemos Ann, uma mulher de apenas 23 anos, casada com Don e mãe de duas filhas.

Ela descobre que está com câncer de ovário e que a doença já se alastrou para outros órgãos e, por isso, não existe tratamento. Atordoada com a notícia, Ann decide não contá-la a sua família e cria uma lista de coisas para fazer antes de morrer, como dormir e se apaixonar por outro homem, deixar uma mensagem para suas filhas e encontrar uma nova mulher para seu marido. O filme, embora traga uma temática bastante comum nos filmes sobre morte, inova ao colocar a protagonista em uma maratona bastante egocêntrica, tentando passar uma mensagem de que se colocar em primeiro lugar, nesse caso, pode ser uma coisa boa.

A partida (2009)

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009, “A Partida”, de Yojiro Takita, ajuda seus espectadores a refletirem sobre perdas, reencontros, morte, renascimento e a passagem da vida. Para isso, somos apresentados ao violoncelista Daigo Kobayashi, que se vê desempregado quando a orquestra em que toca é dissolvida.

Sem esperança para pagar o instrumento novo que acabara de comprar, ele decide retornar a sua cidade natal e lá, encontrar um novo emprego capaz de sustentar a sua família. Então, ele se instala na casa da sua mãe que acabara de falecer, mas não está totalmente pronto para desistir dos seus sonhos. Daigo encontra um novo serviço em uma funerária, preparando cadáveres para serem colocados nos caixões e, por mais que seja uma atividade que o incomode bastante, ele começa a confrontar seus sentimentos reprimidos.

The Babadook (2014)

O filme da diretora australiana Jennifer Kent traz reflexões acerca da depressão de maneira criativa e obscura. Através das óticas de um filme de terror, somos apresentados à história de Amelia, uma mãe que acaba de perder seu marido em um acidente de carro, e precisa lidar com seus traumas e frustrações, ao mesmo tempo em que precisa enfrentar os desafios da maternidade.

Com uma atmosfera extremamente sufocante que simula sentimentos depressivos, a obra traz metáforas acerca da doença, assimilando-a com uma entidade demoníaca que perturba e isola a personagem e seu filho do mundo exterior.

Her (2013)

Ganhador do Oscar de Melhor Roteiro Original, dirigido por Spike Jonze. O longa, conta a história de Theodore, um escritor solitário que se apaixona por um sistema operacional, criado para atender e preencher todos os seus vazios. Durante o longa, aspectos narrativos e técnicos convergem de maneira bem-sucedida para construir uma atmosfera angustiante e cinzenta, que representa a maneira negativa em que o personagem se sente.

O filme apresenta uma visão distópica do futuro, em que seres humanos se relacionam com máquinas, ao mesmo tempo em que questiona e promove a reflexão acerca de temas como a depressão, e como adquirimos uma visão cínica em nossas relações interpessoais, impossibilitando que enxerguemos e possamos auxiliar quem sofre com a doença.

The fundamentals of caring (2016)

Produção original da Netflix, dirigida por Rob  Burnett . Após sofrer uma perda trágica, o escritor Ben (Paul Rudd) perdeu o rumo. Na tentativa de encontrar algum sentido, resolve tornar-se cuidador pessoal. Seu primeiro paciente é Trevor (Craig  Roberts), um adolescente de 18 anos com distrofia muscular e um senso de ironia afiadíssimo. Trevor nunca sai de casa, mas é convencido por Ben a partir para uma viagem e ver de perto um lugar curioso, o buraco mais profundo do mundo. A jornada não sai conforme o esperado, o que acaba sendo ótimo para ambos…

Gostou? Então compartilhe!