Maturidade é você usar o silêncio quando o outro espera que você grite!

junho 17, 2019 Off Por O Martelo de Nietzsche

Não altera a voz, melhore os argumentos, se necessário, quando tiver a oportunidade de ficar na sua, fique! Por quê ficar quieto é tão inquietante? Talvez porque a gente tenha a necessidade de dar opinião o tempo todo? Ou porque a gente não tem o que fazer mesmo?

As novas tecnologias da comunicação e da informação proporcionaram ao homem moderno o poder da fala nos mais diversos espaços digitais. Por meio das redes sociais, que hoje em dia é um tipo de revista eletrônica com opiniões de anônimos que buscam o preenchimento do vazio, como também procuram por fama, reconhecimento, e claro: a “certificação Harvard” de opinião de credibilidade.

Mas o que eu quero abordar nesta breve reflexão é outro aspecto dessa realidade: em qual momento eu realmente devo me calar? Devo atender com gritos o insulto hostil do meu próximo?

Podemos dizer que é inevitável, nós seremos testados em vários momentos, por pessoas com seus ânimos alterados, seja em relacionamentos, no trabalho, com familiares, na faculdade, ou em qualquer outra situação que a vida nos colocar. Muitos criam tempestades quando sua paciência é colocada em teste ou até mesmo quando se deparam em uma situação revoltante.

Infelizmente boa parte da sociedade ainda está no jardim da infância (isso não se aplica exclusivamente ao Brasil). Em outra palavras: ainda existe muita gente cuidando da vida do outro. Ainda está no imaginário de muitos sobre o porquê de não namorarmos, de ainda não termos nos casado, de não termos filhos ou de termos determinada quantidade dos mesmos, sobre o porquê do porquê do porquê, e, pior, por pessoas que mal nos conhecem.

Na filosofia existe alguns caminhos possíveis que você pode escolher para se comportar diante dessas situações de desafio e confronto com o outro. Numa perspectiva da filosofia nietzschiana, você pode confrontar essas pessoas não se rebaixando, não deixando ser humilhado, expondo as contradições de quem te questiona, sendo você mesmo, assumindo seus gostos pessoais, suas escolhas, deixando claro o que você pensa. Isso de uma maneira elegante, sem gritar, sem transparecer desespero. Com argumentos, coesão e coerência.

O outro caminho possível seria numa perspectiva da filosofia budista. Você pode adotar o silêncio para responder aquelas questões mais chatas que você não quer perder o seu tempo dando explicações.

Eu sei que é chato, mas infelizmente muitas pessoas farão observações desagradáveis e incômodas sobre nós, deixando-nos desconfortáveis. Não se engane: haverá pessoas falando que engordamos, que envelhecemos; haverá quem nos censurará e nos julgará pelo modo de vida mais livre que escolhermos; haverá quem nos repreenderá por alguma atitude que tomarmos. Mesmo que nosso comportamento não lhes afete de maneira alguma, ainda sim haverá pessoas dando “pitaco” com achismos hipotéticos.

“Ando preferindo ter paz do que razão”

Expresso-me aqui em linguagem bem coloquial : “essa máxima me representa”. Nossa vida é feita por fases, e a minha fase atual é a de procurar paz e sossego.

Longe de pés poeirentos, de cabeças confusas, de gente chata, longe da polarização e da idiotice, longe daqueles indivíduos que insistem em defender o ridículo, o tosco e o vil. O caminho para a sabedoria e para a paz de espírito se alcança olhando para dentro. Se a gente ficar preocupado com as opiniões externas sobre as nossas vidas, infelizmente viveremos a mercê do alhar alheio.

Portanto, quando o outro esperar ouvir sua voz, seu berro, sua indignação, pense bem se vale a pena. Principalmente aqui nas redes sociais, onde todo mundo é PHD em qualquer assunto!

Por: Wanderson Dutch