O que levou Schopenhauer a se tornar o pai do pessimismo?

junho 29, 2019 Off Por O Martelo de Nietzsche

“O mundo é minha representação”

“De fato, não podemos assinalar outro fim a nossa existência senão o de aprender que seria melhor que não existíssemos”

– Schopenhauer, O Mundo como Vontade e como Representação, §1

Constantemente a gente compartilha em nossa página ou no nosso instagram, diversos pensamentos ácidos e pessimistas de Schopenhauer, mas você realmente sabe o que fez ele ser considerado o pai do pessimismo moderno?

Para entender como ele desenvolveu a sua forma implacável de olhar para a vida, nós precisamos entender um pouco de sua história.

Schopenhauer – infância e juventude.

Schopenhauer (1788-1860) nasceu na Polônia em Dantzig , no dia 22 de fevereiro de 1788. Filho de comerciante rico e de uma escritora popular. Logo na infância ele mudou-se para Hamburgo quando tinha apenas cinco anos de idade, época em que Dantzig perdera sua liberdade na anexação da Polônia em 1793. Com nove anos foi para a França estudar a língua francesa.

Schopenhauer cresceu em um ambiente de negócios e finanças. Foi preparado para a carreira mercantil mesmo contra a sua vontade. Seu pai o intimidou dizendo que ele só receberia herança se seguisse o mesmo destino que ele, isto é, comerciante. Não vendo outra forma, “Schop” aceita a imposição do paí, e logo em seguida começa a fazer uma série de viagens como por exemplo, para França, Suíça, Itália, Austrália etc…

O surgimento do pessimismo em Schopenhauer

Vendo a desgraça que estava assolando a EUROPA, ficou chocado com o caos e a sujeira das vilas, com a pobreza dos fazendeiros e com a inquietação e miséria das cidades. Tornou-se um jovem sombrio e desconfiado, era obcecado por temores e visões sinistras.

Em 1805 ingressou na Faculdade de Comércio de Hamburgo. Nesse mesmo ano ficou órfão de pai. Mais tarde, com autorização de sua mãe, e com a herança recebida, abandonou os negócios e pode se dedicar as atividades intelectuais. O difícil convívio com a mãe o levou para Weimar, centro da vida intelectual alemã daquela época. Em 1809 ingressou no curso de Medicina na Universidade de Gottingen. Somente em 1811 transferiu-se para a Universidade de Berlim para estudar Filosofia.

Em 1813 ficou dominado pelo entusiasmo do filósofo Fichte por uma guerra de libertação contra Napoleão. Pensou em se apresentar como voluntário, mas em vez de partir para guerra se dedicou a escrever sua tese de doutorado de Filosofia. “A Quádrupla Razão do Princípio de Razão Suficiente” (1813).

Produções intelectuais

Após sua dissertação dedicou todo o seu tempo ao livro que seria sua obra-prima “O Mundo Como Vontade e Representação” (1818), a grande antologia do infortúnio.

No conceito de representação, ideia que ele chegou a discutir pessoalmente com Goethe ( e começou a introduzir em seu livro: Sobre a Visão das Cores, em que ele o tempo inteiro queria prova que as interpretação de Goethe sobre como vemos o mundo estava errada), Schopenhauer quer dizer basicamente o seguinte: tudo acontece para um sujeito que percebe. Ele é o sustentáculo de seu próprio mundo, sem ele, não há representação. Toda massividade do universo encontra-se na vaporosidade da consciência. As imagens nascem nesse amálgama entre corpo e mundo. Sujeito e objeto, essa é ligação que chamamos de Representação. Um não existe sem o outro. Um começa onde o outro termina. Tal como Kant nos mostrou, as Representações nos chegam através dos sentidos e se submetem ao nosso princípio de razão. Pensamos tudo sob a forma pura de tempo-espaço e causalidade. Portanto, o vir-a-ser possui um quadro de fundo, possui um palco, uma moldura onde a ação acontece.

Em outras palavras: Schopenhauer entende que a Representação é o conceito que garante a realidade composta de sujeito-objeto. O cérebro organiza tudo para nós, todos os nervos sensoriais saem da superfície do corpo e vão até esta massa cinzenta de processamento. O cérebro funciona da mesma maneira que o estômago: digere sensações e retira aquilo que é necessário, o resto passa adiante, não importa

Quando publicado, o livro quase não atraiu atenção, o mundo estava desinteressado para ler o que um acadêmico anônimo escrevia.

Em 1822 foi convidado para lecionar na Universidade de Berlim. Escolheu para suas conferências o mesmo horário em que Hegel dava suas aulas. Viu-se diante de cadeiras vazias. Pediu então demissão. Em 1831 espalhou-se em Berlim uma epidemia de cólera. Hegel apanhou a infecção e morreu em poucos dias. Schopenhauer fugiu para Frankfurt, onde passou o restante de seus anos de vida. Escreveu “Da Vontade na Natureza” (1836), “O Livre Arbítrio” (1839) e “Os Dois Problemas Básicos de Ética” (1841).

Pessimista sensato evitou a tentativa de ganhar a vida escrevendo. Havia herdado uma participação na firma de seu pai e vivia com conforto. Quando uma das empresas faliu o filósofo alugou dois aposentos em uma pensão e lá viveu os últimos trinta anos de sua vida.

O reconhecimento da obra de Schopenhauer só veio lentamente. Aos poucos conquistou não só escritores, mas também advogados, médicos, negociantes, artistas e pessoas comuns, que encontraram nele uma filosofia que lhes oferecia não um mero jargão de irrealidades metafísicas, mas sim um estudo inteligível dos fenômenos da vida real. Uma Europa desiludida com os ideais e esforços de 1848, voltou-se para essa filosofia, que interpretava o desespero de 1815.

Em 1850 escreveu “As Dores do Mundo”. O ataque da ciência à teologia, a denúncia socialista da pobreza e da guerra, a tensão biológica pela sobrevivência, contribuíram para que o filósofo conquistasse finalmente a fama.

Arthur Schopenhauer faleceu em Frankfurt, Alemanha, no dia 21 de setembro de 1860.

Fonte: Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia