A modernidade está nos deixando doentes e irracionais?

agosto 5, 2019 Off Por O Martelo de Nietzsche

Em entrevista publicada em janeiro de 2016 ao jornal espanhol ‘El País’, Zygmunt Bauman afirmou ao ser questionado sobre o antagonismo entre segurança e liberdade que, “Esses são dois valores são tremendamente difíceis de conciliar.

Se você quer mais segurança, terá que abrir mão de certa quantidade de liberdade; se você quer mais liberdade, terá que abrir mão de segurança. (…) Há quarenta anos acreditamos que a liberdade havia triunfado e começamos uma orgia de consumismo. Tudo parecia possível via empréstimo de dinheiro: carros, casas… e você pagava depois.

O chamado à realidade de 2008 foi amargo, quando os empréstimos secaram”. Historicamente percebemos que a chamada modernidade sólida fez uma opção pela segurança, ao criar padrões, apostar na durabilidade e confiança em tudo aquilo que era culturalmente construído.

Segurança essa que dependia, até certo ponto, da imposição dos valores, do apego às tradições e do respeito às autoridades. Contudo, a segunda metade do século XX foi marcada por movimentos em prol da liberdade, com protagonismo dos jovens inclusive.

Podemos citar como exemplos os hippies e os negros nos EUA, os movimentos de maio de 68 na França, o tropicalismo e o movimento estudantil no Brasil, entre outros.

O que muitos teóricos sociais, como Jean-François Lyotard e Jean Baudrillard, chamam de pós-modernidade, Zygmunt Bauman denomina modernidade líquida, para se referir ao momento histórico em questão, profundamente marcado pela contestação e quebra dos padrões até então vigentes.

A “revolução” em curso atacava a segurança em nome da liberdade que, segundo Bauman, trouxe consigo uma sensação de “vazio” que nos fez recorrer ao consumismo como antídoto e meio para a conquista da felicidade.

Entretanto, como mencionado anteriormente, o preço a ser pago foi ainda maior na medida em que desfrutar da liberdade tem como efeito colateral a perda da segurança. Psicologicamente estamos cada vez mais tomados pela incerteza, insegurança, instabilidade e medo.

E no atual cenário o próprio medo é líquido. Ao ser questionado sobre o significado de tal medo numa outra entrevista, em julho de 2016, dessa vez para a rede de estatal TV Al Jazeera, Bauman explicou, “Significa o medo fluindo, não ficando no mesmo lugar, mas difuso.

E o problema com o medo líquido é que, ao contrário do medo concreto e específico, que você conhece e com o qual está familiarizado, é que você não sabe de onde ele virá. (…) não há estruturas sólidas ao nosso redor nas quais possamos confiar e nas quais investir nossas esperanças e expectativas. Até mesmo os governos mais poderosos, frequentemente, não podem entregar o que prometem. Eles não têm poder para tanto”.

O autor também faz a distinção entre segurança e proteção. A primeira seria uma condição interior, sinônimo de estabilidade, enquanto a segunda é exterior e pode ser vista no número de câmeras instaladas em estabelecimento/condomínios/instituições, coletes à prova de balas, armas, carros blindados, senhas para impedir que qualquer um veja a tela de seu celular e etc.

Nesse sentido, o medo passa a ser utilizado como ferramenta ideológica pela mídia, pelos políticos e pelo próprio mercado, da indústria bélica ao setor imobiliário. O medo sob o aspecto líquido não possui forma definida, pode estar em qualquer lugar e atacar em qualquer momento.

E qual a relação desse medo liquido defendido pelo autor e a doença da modernidade? 

São muitas associações possíveis, mas uma das principais doenças que tem sido desenvolvida com essa modernidade é a depressão.

Nós sabemos que a tristeza faz parte da experiência de vida de cada pessoa. Mas quando ela é profunda e perdura por muito tempo, e se associa a outras emoções como amargura, desencanto, desesperança, temos aí a depressão.

As redes sociais dão a ilusão de nós estarmos cercados por muitos amigos, isto é, aqueles que estão no circulo de nossas amizades, mas na verdade o que temos não passam de avatares cheios de opiniões, muitas vezes grosseiros.

A capacidade de análise crítica tem diminuído, ao invés de crescer, já que temos muitas informações disponíveis ao nosso redor, porém, o que se tem constatado é uma elevada tendência a acreditar naquilo que popularmente tem sido chamado de Fake News. O excesso de informação tem provocado um enorme cansaço mental. E muitas pessoas não estão sabendo lidar com isso.

É preciso ter cuidado. O cansaço mental pode afetar sua saúde física e psicológica, comprometendo o seu desempenho em vários aspectos da vida.

Nietzsche não acredita na ideia de progresso, no que tange ao comportamento humano, para ele, nós modernos, estamos sempre inventando novos deuses e criando situações para nossa própria autodestruição, embora o instinto de sobrevivência queira ao contrário, mas os “últimos homens”, como ele mesmo diz em Assim Falou Zaratustra, acha que pode tudo. Quando na verdade não pode nada além daquilo que criou.

Talvez você pergunte, como fugir dessa loucura moderna? Bom, eu tenho  apenas uma dica para você : procure fazer meditação, sim, estude um pouco sobre o Budismo.

Tente acalmar a sua mente, faça um Detox digital, isto é, jejum das redes sociais, do telefone, de tudo aquilo que seja digital. Você verá que isso trará um enorme bem para a sua saúde mental.

Profº Marcio Krauss e Wanderon Dutch,