Como Paulo distorceu o evangelho de Jesus

Este artigo certamente terá uma segunda parte, pois o tema é bastante espinhoso e vai contra tudo aquilo que os cristãos ortodoxos acreditam em relação a bíblia e aos ensinamentos do seu lider supremo.

Despensa detalhes bibliográficos aqui neste artigo sobre a origem de Paulo, sua formação intelectual e sua influência da filosofia grega e dos epicuros.

Sobre as falsificações de Paulo

Não somente Nietzsche, em seu livro O Anticristo, como várias outras vozes já alertaram sobre a falsidade da obra de Paulo, entre elas a do nosso querido pacífico profeta da não-violência Mahatma Gandhi e a do teólogo alemão Albert Schweitzer, prêmio Nobel da Paz em 1952.

“As Epístolas são uma fraude dos ensinamentos de Cristo, são comentários pessoais de Paulo à parte da experiência pessoal de Cristo”, escreveu Gandhi.

Muito do conteúdo das epístolas de Paulo está claramente em oposição à doutrina de Jesus, afirmou Albert Schweitzer.

Podemos dizer que a influência de Paulo é indiscutível. Mas, para uma corrente de historiadores e teólogos, ele deturpou os ensinamentos de Jesus completamente, para muitos estudiosos, ele é o verdadeiro pai do Cristianismo.

Isso ficou evidente após o descobrimento de escrituras autênticas e completas dos ensinamentos de Cristo: o Evangelho dos Doze Santos, encontrado em 1850 no Tibete; o Evangelho Essênio da Paz, achado na Biblioteca do Vaticano em 1925; e os Manuscritos do Mar Morto, encontrados em 1945 numa caverna do Oriente Médio, com os ensinamentos dos essênios que viveram nos séculos I e II. Comparemos algumas das palavras de Jesus, segundo o Evangelho dos Doze Santos, com as palavras de Paulo, segundo suas próprias epístolas.

As principais críticas da corrente antipaulina concentram-se em pontos polêmicos das cartas do apóstolo. Nelas, entre outras coisas, Paulo defende a obediência dos cristãos ao opressivo Império Romano, bem como o pagamento de impostos, faz apologia da escravidão, legitima a submissão feminina e esboça uma doutrina da salvação distinta daquela que, segundo teólogos antipaulinos, teria sido defendida por Jesus.

“A mentira que foi a figura profética que foi Paulo tem durado tanto tempo à base da violência. Sua conversão foi uma farsa”, afirma Fernando Travi, fundador e líder da Igreja Essênia Brasileira. Os essênios eram uma das correntes do judaísmo há 2 mil anos, convertidos na primeira hora ao cristianismo.

“Ele criou uma religião híbrida. A prova disso é o mundo que nos cerca. Um mundo cheio de guerra, de sofrimentos e de desespero.”

As 13 cartas escritas por São Paulo sintetizam o pensamento do apóstolo, que viria a moldar a doutrina cristã. Elas foram redigidas entre os anos 50 e 60 e são os mais antigos documentos da história do cristianismo – os quatro evangelhos canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João ficaram prontos apenas entre os anos 70 e 100. A influência do apóstolo na consolidação da doutrina cristã pode ser medida pelo fato de suas epístolas representarem quase metade dos 27 livros do Novo Testamento. Com elas, dizem os estudiosos, Paulo não tinha a pretensão de formular tratados teológicos. “Elas são resultado de experiências vivenciadas pelas comunidades paulinas”, afirma o André Chevitarese. Uma corrente de biblistas defende que nem todas foram de fato escritas por Paulo – algumas teriam sido redigidas por seus discípulos após a morte do apóstolo. “Elas são muito diferentes em estilo literário e conteúdo”, afirma Pedro Vasconcellos, da PUC. Para a Igreja, no entanto, todas as cartas são de autoria de Paulo.

Se são uma rica fonte de difusão da doutrina cristã, esses documentos são também a principal causa da controvérsia sobre o apóstolo. Na opinião de Fernando Travi, líder da Igreja Essênia Brasileira, a descoberta, no século passado, de escrituras datadas dos primeiros anos do cristianismo, como os Manuscritos do Mar Morto, o Evangelho dos 12 Santos (ou da Vida Perfeita) e o Evangelho Essênio da Paz, indica que boa parte do conteúdo das cartas de Paulo está em oposição aos ensinamentos de Jesus (leia quadro na pág. 64). “Existem sérios indícios de que, como num plano de sabotagem, Paulo divulgou uma doutrina falsificada em nome do messias”, diz ele. Opinião parecida tem o pastor batista americano Edgar Jones, autor do livro Paulo: O Estranho. “Jesus de Nazaré deve ser cuidadosamente diferenciado do Jesus de Paulo. Gerações e séculos passaram até que a corrente paulina com seu forte apelo em favor do Império Romano ganhasse ascendência sobre a corrente apostólica”, diz o teólogo.

O fato é que, até o século 4, o cristianismo dividia-se em duas correntes distintas, uma liderada pelos discípulos de Paulo e outra pelos seguidores dos apóstolos de Cristo. Quando o cristianismo tornou-se a religião oficial do Império Romano, a corrente paulina saiu-se vitoriosa. “As idéias de Paulo, afáveis aos dominadores, foram definitivamente incorporadas à doutrina cristã”, diz Fernando.

Para os críticos de Paulo, um exemplo dessa “afabilidade” está presente na Epístola aos Romanos. “Cada um se submeta às autoridades constituídas, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus. Aquele que se revolta contra a autoridade opõe-se à ordem estabelecida por Deus”, escreve Paulo. E continua: “É também por isso que pagais impostos, pois os que governam são servidores de Deus”. “Essa passagem revela que ele estava a serviço das autoridades romanas. Jesus, por sua vez, se insurgia contra as leis de Estado”, afirma Fernando. Para os defensores de Paulo, esse texto foi tirado de seu contexto e tornou-se, ao longo dos séculos, uma teoria metafísica do Estado. “O texto só tinha valor para quem vivia em Roma, onde qualquer movimento de desobediência seria esmagado”, diz o teólogo Pedro Vasconcellos.

Para outros teóricos, deve-se diferenciar a doutrina religiosa paulina das opinões do apóstolo sobre a ordem social. “A teoria de Igreja de Paulo é fundamentada no antiautoritarismo, o que influenciou muito a doutrina protestante. Na sua igreja, a idéia de liberdade é plena, mas quando ela é extrapolada para o meio social, surge o seu conservadorismo”, diz o pastor luterano Milton Schwantes, professor da Universidade Metodista de São Paulo e doutor em literatura bíblica. O sacerdote franciscano Jacir de Freitas Faria, mestre em exegese bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico (PIB), de Roma, comunga da mesma opinião: “Paulo é uma figura basilar do cristianismo, mas não podemos deixar de ser críticos a ele nessa relação com o Império Romano”.

Outro ponto controverso das epístolas paulinas refere-se à defesa que seu autor faz da escravidão. Na Epístola aos Efésios, Paulo é taxativo: “Servos, odedecei, com temor e tremor, em simplicidade de coração, a vossos senhores nesta vida, como a Cristo”. Para os antipaulinos, o apoio dado pelo apóstolo à escravidão tem sido usado pela Igreja ao longo dos séculos para legitimar situações espúrias de dominação e diverge radicalmente da palavra de Cristo, que pregava um mundo livre de opressões. A corrente pró-paulina argumenta, mais uma vez, que é preciso analisar o contexto histórico para entender seus escritos: “Sua falha em condenar a escravidão torna-se compreensível quando sabemos que cerca de 60% da população de qualquer cidade grande daquele tempo era formada por escravos. Toda economia estava estruturada em torno desse fato e, por isso, uma atitude crítica seria incompreensível”, afirma o biblicista Jerome Murphy-O’Connor, de Jerusalém.

Para discussão

Veja algumas das palavras de Jesus, segundo o Evangelho dos Doze Santos, com as palavras de Paulo, segundo suas próprias epístolas:

Escravidão.

Jesus: “Protegereis o fraco (…) Deus mandou-me ajudar os quebrantados, para proclamar liberdade aos cativos”. Paulo: “Escravos, sejam obedientes a seus mestres, com temor e estremecimento, assim como a Jesus”. (Efésios 6) “(…) Se seu proprietário é um cristão (…) devem trabalhar mais duro porque um irmão na fé está lucrando com a labuta”.

Vegetarianismo

Jesus: “Não comereis a carne nem bebereis o sangue de nenhuma criatura abatida (…) Porque das frutas das árvores e das sementes das ervas Eu partilho somente”. Paulo: “Aqueles cuja fé é fraca comem somente vegetais”. (Romanos 14)

Remissão dos pecados

Jesus:

“Nenhuma oferenda de sangue, de besta, de pássaro ou de homem pode tirar o pecado. Como pode a consciência ser purgada de pecado pelo derramamento de sangue inocente?”

Paulo:

“Com efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão (…) O sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência.” (Hebreus 9)

Conseguem percebe a diferença. Se você for um defensor fiel a tudo que te ensinaram na bíblia certamente vai quer argumentar contra.

Mas deixaremos aqui uma leitura crítica e essencial para quem deseja se aprofundar sobre a vida de Jesus de maneira crítico-reflexiva.

Como Jesus se tornou Deus? Por Bart D. Ehrman

 

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