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Entenda porque a palavra “negro” é fruto de um pensamento racista

Um artigo publicado em 1967 por Lerone Bennet Jr, editor sênior da revista Ebony, traz pontos importantes ao debate, como, por exemplo, a discussão que tomou conta dos Estados Unidos à época. Bennet escreve que “há um grupo que sustenta que a palavra negro é um epíteto impreciso que perpetua a mentalidade de mestre-escravo (…) outro grupo, constituído por defensores do Black Power, adotou um novo vocabulário em que a palavra preto é reservada para ‘irmãos pretos e irmãs que estão emancipando a si mesmo’”.

Mas afinal, há motivos sérios para a oposição violenta à palavra “Negro”?

Para responder a essa pergunta e relacioná-la com toda a borbulhante controvérsia, deve-se voltar 400 anos. Pois os americanos de ascendência africana têm discutido sobre nomes desde que eles foram forçadamente transportados da África pelos europeus, que arbitrariamente marcavam-nos “pretosmouros”, “mouros”, “negrinhos” e “negros”

A reação dos primeiros americanos de ascendência africana à palavra “Negro” nunca foi adequadamente estudada. Mas parece que, a partir de um exame de documentos que restaram, alfabetizados negros resistiram à palavra com astúcia e tenacidade. Os primeiros imigrantes pretos parecem ter preferido a palavra “Africano”. Em documentos descobertos, eles referiram a si mesmos como “pretos ” e “africanos”.

E as primeiras instituições organizadas pelos norte-americanos de ascendência africana foram designadas “Africano”, “A Sociedade Livre Africana“,”A Igreja Metodista Episcopal Africana”, “A Igreja Batista Africana”. O preâmbulo da Sociedade Livre Africana, que foi fundada na Filadélfia, em 1787, começa: “Nós, os africanos livres e seus descendentes da cidade de Filadélfia, no Estado da Pensilvânia ou em outro lugar…”.

Embora a palavra “Negro” tenha se tornado uma designação geralmente aceitável nos anos l930, houve forte oposição dos militantes radicais, como Adam Clayton Powell, Angela Davis, que continuaram a usar a palavra “preto” como a mais adequada para direcionar as pessoas de pele preta.

Mas vamos entender melhor isso de maneira prática?  Na nossa linguagem

“Negro quer dizer escravo e aceitar ser chamado assim é abrir a porta para ser humilhado”.

Nascido em Gana, Clifford chegou ao Brasil em 1983, onde virou um dos nomes mais destacados da cena mundial do reggae. Trinta anos depois e se sentido já “carioca da clara”, o artista lançou um vídeo no Youtube questionando o uso da palavra “negro” para se referir aos afrodescendentes. O vídeo se tornou viral e desde então não parou de dar palestras pelo país todo exigindo uma mudança na linguagem.

“Está na hora de colocar preto no branco. O Brasil tem que parar de chamar as pessoas de negro porque é uma palavra pejorativa que quer dizer escravo e traz consigo uma ofensa, a lembrança de ser atado, arrastado, maltratado”, defendeu. “Uma criança branca nasce livre, enquanto uma negra está condenada pelo nome”, disse. “Imagina crescer ouvindo lista negra, dia negro, magia negra, câmbio negro, mercado negro… aqui quando alguém ganha grana, a grana é preta, mas quando passa fome, é negra. O chocolate ou o café são pretos, mas a peste é negra”.

Por isso, na opinião dele, “não é possível que o Brasil, em pleno século XXI, continue chamando as pessoas de negro”, um termo que foi criado para “coisificar” os povos escravizados. “A raça negra existe somente porque tem alguém que a dominou”, apontou. Segundo ele, “antes dos navios negreiros, os africanos eram pretos”. Aliás, sinalizou, “as primeiras vítimas foram os indígenas”, batizados de “negros da terra”.

A trajetória ativista de Clifford, no entanto, não começou com o vídeo. Já em 2006, o músico foi até a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro para denunciar que “muitos jovens estão na cadeia ou no manicômio por causa da palavra negro”. E lá, como em muitos outros lugares, escutou a voz de quem não concorda com ele. Na verdade, ele acredita que a “culpa” não é do povo que apelida carinhosamente, por exemplo, de “neguinho” e sim dos “estudiosos, da mídia e do Governo”. Por isso não duvida em dizer que “os poderosos” usam a palavra negro “como forma de exercer a violência verbal e diminuir os pretos para que caminhem de cabeça baixa”.

Confira abaixo o vídeo.

Gostou?

Ainda vai chamar nossa gente de negra?

Fonte: Mundo Negro

Por: Wanderson Dutch

Comentários (1)

  1. Sérgio Mário Teixeira

    Sou um preto ativista dessa luta ☻ Estamos juntos nesta luta ☻

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