NIETZSCHE como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal

Se a vida fosse algo simples de entender, talvez nós não teríamos tantos filósofos com diferentes posicionamentos e diferentes perspectivas no que diz respeito a nossa vida em sociedade.

Qual o sentido da vida? Como encontrar a felicidade? O que é o amor? Qual é o meu proposito? E tantas outras questões existenciais, ainda permanecem com um longo vácuo dentro da cabeça de muitas pessoas não é mesmo? Diante desse cenário todo de duvida sobre questões fundamentais que envolvem o nosso processo de existe, nós temos uma figura central que rompeu com estruturas antigas dentro dos estudos da filosofia.

Antes de abordar algumas questões sobre Nietzsche como ferramenta para desenvolvimento pessoal, vou esclarecer alguns pontos importantes aqui de sua filosofia.

Nietzsche nunca foi filósofo!

Calma! Antes que você fique nervoso, dizendo: que absurdo! Vou elucidar o que isto significa. É importante deixar claro aqui que Friedrich Nietzsche, era formado em filologia clássica e não em filosofia. Ele só se tornou filósofo posterior a sua formação acadêmica.

Nietzsche foi muito influenciado por Schopenhauer, ele concorda com a visão de mundo deste filósofo em três questões essenciais: a) a inexistência de Deus; b) a inexistência de alma; c) a falta de sentido da vida, que se constitui de sofrimento e luta, impelida por uma força irracional, que podemos chamar de vontade.

No entanto, ao contrário de Schopenhauer, Nietzsche não vê a realidade repartida em duas, o fenômeno e a coisa em si. Considera que este mundo é a única parte da realidade e que não devemos rejeitá-lo ou nos afastarmos dele, mas viver nele com plenitude. Para Nietzsche o agora que é a verdadeira eternidade que precisa ser reverenciada como a única verdade.

A seguir, nós vamos discorrer sobre principais teorias de Nietzsche que ajudar você a compreendê-lo melhor, ou pelo menos ter um direcionamento sobre seu pensamento.

Moral dos escravos

A civilização, de acordo com o Nietzsche, foi criada pelos fortes, pelos inteligentes, pelos homens competentes, os líderes que se destacaram da massa. Moralistas como Sócrates e Jesus, porém, negaram essa realidade em nome dos fracos.

Propagando uma moral que protegia os fracos dos fortes, os mansos dos ousados, que valorizava a justiça em vez da força, eles inverteram os processos pelos quais o homem se elevou acima dos animais e exaltaram como virtudes características típicas de escravos: abnegação, auto-sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros.

A ideia de super – homem

Considerando que tais valores não têm origem divina ou transcendente, Nietzsche afirma que somos livres para negá-los e escolher nossos próprios valores. Ao “tu deves” devemos responder com o “eu quero”. É a vontade de poder que permite ao indivíduo que se autoelege desenvolver seu potencial máximo de modo a tornar-se um super-homem ou um ser além-do-homem – isto é, que se coloca acima da massa.

Nietzsche identifica o “super-homem” em personagens como Napoleão, Lutero, Goethe e até mesmo Sócrates (não por suas ideias, mas pela coragem de levá-las às últimas consequências). Enfim, no líder que tem vontade de poder, que ousa tornar-se o que realmente é. É assim que se afirma a vida.

O eterno retorno

Podemos dizer aqui que parece que o Eterno Retorno defende a tese de que pólos se alternam nas vivências numa eterna repetição. Criação e destruição, alegria e tristeza, saúde e doença, bem e mal, belo e feio,… tudo vai e tudo retorna. Porém, esses pólos não se opõem, mas são faces de uma mesma realidade, isto é, um complementa o outro, são contínuos de um jogo só. Alegria e tristeza são faces de uma única coisa experienciada com grau diferente.

A temporalidade não está presente no Eterno Retorno, a realidade para Nietzsche não tem uma finalidade nem um objetivo a cumprir, e por isso as alternâncias de prazer e desprazer se repetem durante a vida. – O Eterno Retorno não se reporta a uma demarcação temporal cíclica e exata, mas às nuances de vivências que se complementam e dão o colorido da vida.

O devir não ocorre de um modo exatamente igual, mas são variações de sentidos já vivenciados, faces de uma mesma realidade. A alegria e a tristeza que senti não serão iguais no amanhã, mas voltarei a experimentar esses estados em suas diferentes variações.

A indagação que Nietzsche nos faz através do aforismo acima não se trata de uma negação da vida, pelo contrário, nos remete a uma afirmação da vida.

Entendemos assim que não posso crescer se não experimento declínio e vice-versa, são faces de uma mesma moeda sem demarcação de tempo e exatidão, de tal modo, Nietzsche nos aponta que “os homens não têm de fugir à vida como os pessimistas, mas como alegres convivas de um banquete que desejam suas taças novamente cheias, dirão à vida: uma vez mais”. – Eis aqui uma bela resposta de Nietzsche ao “pessimismo” de Schopenhauer.

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