O que fazer na quarentena? Como sair do tédio e levar esse período com mais leveza

É uma das perguntas mais procuradas atualmente no Google: o que fazer na quarentena? Muitas pessoas estão entrando no tédio absoluto pelo excesso de mesmice,em outras palavras: elas não estão suportando suas próprias presenças.

Mas afinal, por que isso acontece? Nós estamos tão apegados a rotina diária que alguns dias conosco começamos a entrar em um surto? Como que existem pessoas que conseguem ficar tanto tempo sozinhas? Qual o segredo?

A verdade é que nós, gostamos sim, do mundo, tal como ele se configurou e tem se apresentado, nós gostamos dos shoppings super lotados, das praças de alimentação com filas enormes, dos estacionamentos mega lotados, das lojas completamente com muvucas, gostamos de ficar nas filas do cinema, do teatro, dos aeroportos, nós gostamos da aglomeração. E quando tudo isso nos é privado: nós entramos em pleno surto, revolta, queremos fazer manifestações, porque gostamos da multidão, gostamos de andar em rebanho.

E agora Jose? O que fazer?

O que fazer na quarentena? Como sair do tédio e levar esse período com mais leveza

O que nos resta a fazer é aprender a lidar com os sofrimentos da vida, entender que nada é permanente, tudo passa, e que a vida não tem graça se funcionava na mesmice e na normalidade. Coronavírus, por si só, é apenas mais um vírus provocando grandes estragos, porém, desta vez com escala global afetando a economia de maneira direta, contudo, nós podemos extrair lições do que está acontecendo, partindo de uma análise crítica de nossa sociedade burguesa capitalista.

Sofrer é uma das primícias do existir!

Se você olhar para a vida de um dos maiores escritores dos últimos tempos: Edgar Allan Poe,  você perceberá que a vida do escritor desde o início foi complicada. Quando tinha 1 ano, o pai abandonou a família e, no ano seguinte, a mãe faleceu; tinha uma relação conflituosa com o pai adotivo, e sua esposa morreu cedo.

E não é à toa que os temas morte e perdas são recorrentes em sua literatura. Considerado o pai das modernas histórias de detetive, Edgar Allan Poe é famoso pelos contos de mistério e horror. Apesar de ter reconhecimento em vida, não era bem remunerado e gastou o que ganhou em um projeto falido de criar uma publicação literária. Como saída de um conto, sua morte é rodeada de mistérios. Foi encontrado delirando nas ruas de Baltimore e internado em um hospital, onde faleceu.

Olhamos para a vida de outro grande escritor: Oscar Wilde. Apesar de celebrado como dramaturgo em seu tempo, é com um único romance que ele entrou no patamar dos grandes escritores da língua inglesa. O Retrato de Dorian Gray é uma voraz crítica à hipocrisia da sociedade inglesa vitoriana. E foi exatamente essa hipocrisia que o levou à decadência. Após manter um relacionamento homossexual com um jovem nobre, Wilde é denunciado pelo pai do rapaz por atentado violento ao pudor.

Dessa forma, os elevados custos do processo o levaram à falência, e o escritor amarga dois anos de cárcere. Depois de ser libertado, decide ir morar em Paris, cidade onde passa seus últimos dias. O escritor morre de meningite, sozinho e na pobreza.

Ambos os citados acima tiveram que lutar contra os terríveis sofrimentos da vida, situações adversas, abandono pela família, e tantos outros terríveis problemas. Agora pense em você hoje. Século 21, mora sozinho, ou com parente. Sofre porque seu “castigo” maior é ficar em casa?

Não colocando aqui, àquelas pessoas que estão desempregadas, que precisam trabalhar para comer, ou que enfrentam uma doença grave, o que temos na internet e na sociedade em geral, é um galera jovem reclamando porque está em casa. Fala sério!

Como diria Nietzsche: Tenha culhão! Ponha-se perante a vida de forma afirmativa, aceita aquilo que você não pode mudar e mude a mediocridade que existe em você!

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Por: Wanderson Dutch

 

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