VERDADE SOBRE A CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA

“A verdadeira questão é: quantas verdades consigo suportar?” Nietzsche

A identidade é um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa; nome, cultura, idade, sexo, estado civil, filiação. É também a consciência de si mesmo (FERREIRA, 2009).

Muitas vezes o entendimento da psicologia em uma tentativa para compreender o sujeito e suas singularidades constituídas, nos leva a buscar conceitos que descrevem o processo de construção daquilo que o faz este sujeito e não o outro. A lógica utilizada para entendermos que toda e qualquer concepção de sujeito traz implícita ou explicitamente uma ontologia que sustenta uma concepção do Self, que serve de horizonte para a metamorfose desenvolvimental do que é identidade. Diante isso, a identidade pode ser entendida como um componente constituidor da subjetividade que remete a uma concepção de construção inacabada. Identidades são, pois, identificações em constante curso.

Para que possamos ser e compreender a existência precisamos viver experiências concretas e não uma identidade resultante de uma reflexão lógica. Isso torna compreensível que Sartre (1987; 2000) enfatiza o caráter transfenomênico dá consciência como antropologicamente anterior ao reflexivo o que traz como consequência a identidade como produto da consciência. Dentro da perspectiva ontologica Sartreana, a consciência vai buscar o objeto, o Ser, e enquanto falta de ser surge como niilização do objeto.

Desta forma, cada sujeito será singular, o Ser terá traços particulares, genéticos recessivos e dominantes, um nome, uma memória coletiva, constituída por relações familiares, sociais, culturais e comunitárias.

Sawaia (1999), ressalta que a identidade será implicada pelo sujeito em sua projeção nos processos de identificação, de forma que o identificar-se não represente idolatria e reconhecimento pelo idêntico, mas sim à vontade de ser diferente. A identidade pode ser vista também pelas resultantes de aptidões congêneres e das vivências pelas quais aprendemos como consequência de algumas experiências.

A identidade que está em constante formação sofre influências culturais da sociedade, tornando-se uma prática repetitiva podendo ser instituída através de uma tradição instituinte, aludida a uma determinada lei ou a um conjunto de regras, que tende a alienar os sujeitos que nela estão envolvidos. Tange-se a isto, uma forma determinada de estruturação nas relações de poder implicadas nos papéis exercidos por cada um.

A partir das relações estabelecidas pelo EU-OUTRO, admite-se uma identificação de quem somos e uma diferenciação frente aos outros sujeitos. Essa irá assegurar que a singularidade e a totalidade de saber quem nós somos faz parte da diferenciação, que evita nos confundir com os demais sujeitos; diante disto, a construção da identidade nos remete a ordem que separa o eu singular do eu coletivo.

A identidade faz parte do reflexo da produção social. O sujeito terá seus predicativos, da mesma forma com que os grupos e subgrupos, pelos quais se encontram inseridos, terão suas próprias peculiaridades. Diz-se que o homem é um ser gregário e, com isso, alude-se à sua inata tendência a agrupar-se para assegurar sua sobrevivência como EU e espécie.

Para a premissa de Nietzsche (2007), a identidade não é apenas a condição para que haja o conhecimento de nossa espécie e as coisas reais do mundo, que está no mundo, mas também a condição metafísica para a própria realidade e para a própria idealidade das essências. A identidade existe em repetição reiterando a si próprio e retornando a si próprio. É assim a fonte do mundo. No mundo, seres são singulares e similares, gerados por um fundo uma força do Ser único.

Como Eu transcendental é a existência auto-idêntica, o Ser no mundo que recorre ao longo do tempo para identificar a si próprio em todas as suas experiências tal qual é fonte e da realidade desdobrado a sua volta. Para Nietzsche, o Eu algumas vezes chamado de ficção gramatical perdeu sua auto identidade.

A verdade é que não existe nenhum fato existem apenas interpretações de interpretações de interpretações. A identidade não seria uma potência que ultrapassa a si mesmo no tempo no espaço mantendo sua própria força sua diferença em luta com outras forças em afinidade com ele e forças em oposição a ele. A identidade é um devém (NIETZSCHE, 2007).

O sentimento de pertença remete no sujeito e em sua visão de corpo próprio e consciência de si mesmo como resultantes do projeto de ser e do dever ser para a transcendência, transcendida de existir.

Esse sentimento de pertencimento, elucida nos sujeitos a valorização pessoal dos mesmos. Nas seguintes discussões, podemos observar e analisar as manifestações desse empoderamento que promove esse sentimento de pertencimento, identificação social. Identidade é Ser, é viver, é escolher a verdade ou a mentira que você consegue suportar.

 

Referências:

NIETZSCHE, F. Sobre Verdade e Mentira no Sentido Extra-Moral. São Paulo: Hendra, 2007.

SARTRE, J.P. “As Palavras”. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 7°.Ed., 2000.

SARTRE, J. P. O existencialismo é um humanismo. A imaginação: QueStão de método.
Seleção de textos de José Américo Motta Pessanha. Tradução de Rita Correira Guedes, Luiz
Roberto Salinas Forte, Bento Prado Júnior. 3°Ed. São Paulo: Nova Cultura, 1987.

SAWAIA, B. Exclusão ou inclusão perversa? In B. Sawaia (Org.), As artimanhas da
exclusão: análise psicossocial e ética da desigualdade social Formação e prática do psicólogo
no “terceiro setor”. Petrópolis: Vozes. 1999.

 

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